Ex-camelô vira empresário de sucesso e fatura R$ 12 mil com palestras

  • 07-10-2015

 

David, the camelot, entrou como um rockstar no auditório do Intercity Premium, na zona sul de São Paulo, ao som de "Uptown Funk", último hit de Bruno Mars. Na batida marcante, David pedia para que todos batessem palmas. Ele queria animação.
A trilha logo passou para "Eye of the Tiger", da banda Survivor, que consagrou o personagem de Sylvester Stallone em "Rocky, um Lutador".
A música tema do boxeador da ficção combina com a história da luta de David Portes, 58, que saiu de Campos, no interior do Rio de Janeiro, em 1986, para virar empresário e palestrante de sucesso em 2015.
No convite para a primeira palestra, ele foi pego de surpresa. "Eu recebi a ligação no call-center (da banca de doces). ′David, aqui é de São Paulo.′ Eu respondi. ′Ô, meu senhor, ainda não fazemos entrega aí!′"
Isso foi em 2000, ainda como camelô. Do outro lado da linha estava o presidente do Instituto de Marketing Industrial, José Carlos Teixeira, que convidou David para falar a 180 grandes empresários brasileiros, como os donos da Votorantim e da Volkswagen no Brasil.
O camelô que começava a chamar a atenção pelas jogadas de marketing para turbinar seu pequeno negócio, no entanto, foi barrado no baile. Na capital paulista, ele não conseguiu entrar no hotel de luxo onde seria um dos palestrantes. Os seguranças o barraram quando ele se apresentou como camelô.
Ele seria resgatado do lado de fora por um assessor de Teixeira. "Ele me pegou pelo braço e eu passei pelos seguranças falando ′Bom dia!′", conta, sorrindo.
Hoje, as palestras de David não tratam só de marketing. São também motivacionais, como a de incentivo aos funcionários da Mundipharma, que há mais de dez anos o contrata. O ex-camelô cobra atualmente R$ 12 mil por hora e meia de palestra.
"A equipe sai muito motivada", afirma Janaina Menegatti, gerente de produtos da empresa farmacêutica. Ela assistiu à palestra pela primeira vez, em 2005, e conta que, com o incentivo de David, os profissionais veem que é possível fazer muito com pouco recurso.
MORADOR DE RUA
Recentemente, o ex-camelô escreveu um livro com 60 dicas de sucesso para os negócios. Além de lançar um manual, ele foi dono de restaurante e terá um filme sobre sua vida, ainda em fase inicial de produção.
David começou a empreender em 1986, com o equivalente a R$ 12. Hoje, ele fatura mil vezes mais em uma hora e meia de palestra.
Sem completar a sétima série –o filho de cortadores de cana em Campos (RJ) demorava duas horas para chegar à escola–, David mudou-se para a capital fluminense em abril de 1986, aos 29 anos, com sua mulher grávida, em busca de um sonho. Começou como motorista da antiga empresa de discos Polygram do Brasil.
Nos fins de semana, vendia linguiça na favela da Rocinha, onde morava, e amendoins nos trens. Três meses depois de se mudar para o Rio, foi demitido e, não tendo mais dinheiro para pagar o aluguel, o proprietário o despejou.
Ele e a mulher se mudaram, então, para uma calçada do centro da cidade. Era julho, seu filho estava para nascer e Maria sentia fortes dores. Eles foram ao médico, que receitou remédio que custava o equivalente a R$ 12. O porteiro de um prédio próximo se sensibilizou e reuniu a quantia necessária.
"Eu podia ter comprado o remédio, mas eu comprei doces", conta David. Em um dia de vendas, dobrou seu capital. "Minha mulher me xingou", lembra. No dia seguinte, adquiriu o medicamento e, com os R$ 12 restantes, mais doces.
O MARKETEIRO
"Em uma semana, eu tinha uma banca com 70 produtos diferentes. Antes que me perguntem, eu paguei o porteiro depois", relata o empresário, fazendo a plateia da Mundipharama rir, em palestra assistida pela Folha.
E foram muitos os momentos de descontração. David tem um repertório que reúne diferentes jogadas de marketing, mostrando a evolução e as mudanças pelas quais a Banca do David passou, uma prova de que o Plano Bresser, o Plano Collor e tantas outras crises não desanimaram o então camelô.
Um dos motes de sucesso foi: "David não é Maomé, mas leva você até a montanha." O marketing era para uma promoção de Dia dos Namorados em parceria com um hotel de Petrópolis.
"Naquela época [início da década de 1990], só eu e a TAM tínhamos cartão fidelidade", fala David sobre a campanha de prevenção a cáries em parceira com um dentista, quando percebeu que as mães não estavam comprando tantos doces. Ao completar a cartela de 32 dentes, cada um correspondendo a uma compra, a cliente ganhava uma limpeza no consultório dentário.
Foram essas jogadas que fizeram Teixeira convidar o camelô, que já possuía um depósito de doces, para palestrar em 2000. Na primeira apresentação, viu que poderia faturar em 30 minutos o que conseguia em uma semana na banca.
A partir daí, David cresceu como empresário. Possui duas agências de publicidade, a AD!Marketing e a recém aberta AD!Pop, para comércios populares, e uma consultoria, a Talk About. "Investidor não fica parado no tempo."
O ex-camelô já chegou a dar 22 palestras em um mês e e fechou, em um pacote, 15 apresentações em setembro deste ano. Com sua história, o empresário passa ensinamentos de marketing e motivação. "A gente começa pequeno, mas tem que sonhar grande." 
Fonte: Folha Online

David, the camelot, entrou como um rockstar no auditório do Intercity Premium, na zona sul de São Paulo, ao som de "Uptown Funk", último hit de Bruno Mars. Na batida marcante, David pedia para que todos batessem palmas. Ele queria animação.


A trilha logo passou para "Eye of the Tiger", da banda Survivor, que consagrou o personagem de Sylvester Stallone em "Rocky, um Lutador".


A música tema do boxeador da ficção combina com a história da luta de David Portes, 58, que saiu de Campos, no interior do Rio de Janeiro, em 1986, para virar empresário e palestrante de sucesso em 2015.


No convite para a primeira palestra, ele foi pego de surpresa. "Eu recebi a ligação no call-center (da banca de doces). ′David, aqui é de São Paulo.′ Eu respondi. ′Ô, meu senhor, ainda não fazemos entrega aí!′"


Isso foi em 2000, ainda como camelô. Do outro lado da linha estava o presidente do Instituto de Marketing Industrial, José Carlos Teixeira, que convidou David para falar a 180 grandes empresários brasileiros, como os donos da Votorantim e da Volkswagen no Brasil.


O camelô que começava a chamar a atenção pelas jogadas de marketing para turbinar seu pequeno negócio, no entanto, foi barrado no baile. Na capital paulista, ele não conseguiu entrar no hotel de luxo onde seria um dos palestrantes. Os seguranças o barraram quando ele se apresentou como camelô.


Ele seria resgatado do lado de fora por um assessor de Teixeira. "Ele me pegou pelo braço e eu passei pelos seguranças falando ′Bom dia!′", conta, sorrindo.


Hoje, as palestras de David não tratam só de marketing. São também motivacionais, como a de incentivo aos funcionários da Mundipharma, que há mais de dez anos o contrata. O ex-camelô cobra atualmente R$ 12 mil por hora e meia de palestra.


"A equipe sai muito motivada", afirma Janaina Menegatti, gerente de produtos da empresa farmacêutica. Ela assistiu à palestra pela primeira vez, em 2005, e conta que, com o incentivo de David, os profissionais veem que é possível fazer muito com pouco recurso.


MORADOR DE RUA


Recentemente, o ex-camelô escreveu um livro com 60 dicas de sucesso para os negócios. Além de lançar um manual, ele foi dono de restaurante e terá um filme sobre sua vida, ainda em fase inicial de produção.


David começou a empreender em 1986, com o equivalente a R$ 12. Hoje, ele fatura mil vezes mais em uma hora e meia de palestra.


Sem completar a sétima série –o filho de cortadores de cana em Campos (RJ) demorava duas horas para chegar à escola–, David mudou-se para a capital fluminense em abril de 1986, aos 29 anos, com sua mulher grávida, em busca de um sonho. Começou como motorista da antiga empresa de discos Polygram do Brasil.


Nos fins de semana, vendia linguiça na favela da Rocinha, onde morava, e amendoins nos trens. Três meses depois de se mudar para o Rio, foi demitido e, não tendo mais dinheiro para pagar o aluguel, o proprietário o despejou.


Ele e a mulher se mudaram, então, para uma calçada do centro da cidade. Era julho, seu filho estava para nascer e Maria sentia fortes dores. Eles foram ao médico, que receitou remédio que custava o equivalente a R$ 12. O porteiro de um prédio próximo se sensibilizou e reuniu a quantia necessária.


"Eu podia ter comprado o remédio, mas eu comprei doces", conta David. Em um dia de vendas, dobrou seu capital. "Minha mulher me xingou", lembra. No dia seguinte, adquiriu o medicamento e, com os R$ 12 restantes, mais doces.


O MARKETEIRO


"Em uma semana, eu tinha uma banca com 70 produtos diferentes. Antes que me perguntem, eu paguei o porteiro depois", relata o empresário, fazendo a plateia da Mundipharama rir, em palestra assistida pela Folha.


E foram muitos os momentos de descontração. David tem um repertório que reúne diferentes jogadas de marketing, mostrando a evolução e as mudanças pelas quais a Banca do David passou, uma prova de que o Plano Bresser, o Plano Collor e tantas outras crises não desanimaram o então camelô.


Um dos motes de sucesso foi: "David não é Maomé, mas leva você até a montanha." O marketing era para uma promoção de Dia dos Namorados em parceria com um hotel de Petrópolis.


"Naquela época [início da década de 1990], só eu e a TAM tínhamos cartão fidelidade", fala David sobre a campanha de prevenção a cáries em parceira com um dentista, quando percebeu que as mães não estavam comprando tantos doces. Ao completar a cartela de 32 dentes, cada um correspondendo a uma compra, a cliente ganhava uma limpeza no consultório dentário.


Foram essas jogadas que fizeram Teixeira convidar o camelô, que já possuía um depósito de doces, para palestrar em 2000. Na primeira apresentação, viu que poderia faturar em 30 minutos o que conseguia em uma semana na banca.


A partir daí, David cresceu como empresário. Possui duas agências de publicidade, a AD!Marketing e a recém aberta AD!Pop, para comércios populares, e uma consultoria, a Talk About. "Investidor não fica parado no tempo."


O ex-camelô já chegou a dar 22 palestras em um mês e e fechou, em um pacote, 15 apresentações em setembro deste ano. Com sua história, o empresário passa ensinamentos de marketing e motivação. "A gente começa pequeno, mas tem que sonhar grande." 


Fonte: Folha Online


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